Quais são as novidades desta nova diretriz?

A nova diretriz apresentada ano passado no Congresso da American Heart Association (AHA) e publicada em novembro na Circulation tem como principal objetivo ajudar os profissionais de saúde a prevenir, diagnosticar e tratar níveis elevados de colesterol.

Um painel composto por 24 especialistas na área da ciência e saúde da AHA e de 11 outras organizações de saúde escreveu as recomendações de acordo com as evidências mais recentes para indivíduos em condições muito específicas e em risco cardiovascular. Destaca também a importância de controlar os níveis de colesterol para todas as idades, sendo o LDL colesterol o fator de risco dominante.

As diretrizes de colesterol 2018 ACC /AHA enfatizam uma discussão sobre os prós e contras do início do tratamento com estatina para a prevenção primária, incluindo a discussão com o paciente dos principais fatores de risco – tabagismo, pressão arterial, níveis de colesterol LDL e o risco de 10 anos de eventos adversos, entre outros, como: benefícios da mudança do estilo de vida e do uso de estatinas, potenciais efeitos colaterais e interações medicamentosas, custo da terapia, crescimento de fatores de risco que favorecem a terapia com estatina.

Ainda no contexto da prevenção primária, foi incorporado o Escore de Calcio (CAC) para ajudar a orientar as decisões de tratamento. Para aqueles com risco intermediário – definidos como aqueles com um risco de 10 anos entre 7,5% e 19,9% – e um escore CAC zero, o tratamento com estatinas pode ser postergado a menos que o paciente apresente tabagismo, diabetes ou um forte histórico familiar de desfechos adversos. Além disso, as preferências e valores do paciente devem ser incorporados neste modelo de tomada de decisão compartilhada.

Já no contexto da prevenção secundária, há uma nova indicação na classe I para reduzir o LDL em 50% ou mais, com uma terapia agressiva com estatinas (atorvastatina 40-80 mg ou rosuvastatina 20-40 mg). Além disso, podemos dizer que as diretrizes enfatizaram a importância de um estilo de vida saudável para o coração ao longo de toda a vida, utilizando dieta antiaterogênica, controle do peso, atividade física regular, e evitar o fumo.

Uma mudança significativa em relação às diretrizes anteriores é a avaliação do monitoramento do efeito do tratamento após 4 a 12 semanas do início do tratamento ou ajustes de doses, e o monitoramento posterior a cada 3 a 12 meses.

Os aspectos mais relevantes sobre o “Novo Guideline sobre Dislipidemia da AHA” serão apresentados e discutidos pelo Prof. Dr. Francisco Fonseca no SEND 2019, que acontece nos dias 24 e 25 de maio de 2019 no Rio de Janeiro.

 

Referências consultadas:

The American Heart Association requests that this document be cited as follows: Grundy SM, Stone NJ, Bailey AL, Beam C, Birtcher KK, Blumenthal RS, Braun LT, de Ferranti S, Faiella-Tommasino J, Forman DE, Goldberg R, Heidenreich PA, Hlatky MA, Jones DW, Lloyd-Jones D, Lopez-Pajares N, Ndumele CE, Orringer CE, Peralta CA, Saseen JJ, Smith SC Jr, Sperling L, Virani SS, Yeboah J. AHA/ACC/AACVPR/AAPA/ABC/ACPM/ADA/AGS/APhA/ASPC/NLA/PCNA guideline on the management of blood cholesterol: a report of the American College of Cardiology/American Heart Association Task Force on Clinical Practice Guidelines. Circulation. 2018;

Impact of Statins on Cardiovascular Outcomes Following Coronary Artery Calcium Scoring.  Mitchell et al; J Am Coll Cardiol, 2018).