Entenda como ocorre a cetoadaptação na performance esportiva

Um dos primeiros relatos sobre cetose nutricional foi narrado pelo tenente Frederick Schwatka, em 1878, quando liderou uma expedição pelo Ártico em que os viajantes foram obrigados a se alimentarem exclusivamente de carne de rena. Foi observado que, após 2 a 3 semanas, os sinais de fraqueza inicial desapareciam. Isso ficou conhecido como cetoadaptação.

Atualmente, muito tem sido discutido sobre isso, um tema recorrente no dia a dia do consultório médico. Novas pesquisas têm sido feitas com resultados promissores, porém ainda controversos.  

Os resultados destas pesquisas mostram que existem benefícios nas dietas com pouco carboidrato no manejo de doenças crônicas não transmissíveis. Porém, poucos pesquisadores têm se proposto a discutir e esclarecer se as dietas restritivas em carboidratos poderiam influenciar no desempenho de atletas ou de praticantes de atividades físicas em geral, tendo em vista, principalmente, a utilização e os estoques de glicogênio muscular.

Sabe-se que o glicogênio muscular fornece a energia necessária para a execução dos mais diversos movimentos corporais, porém por um período limitado de tempo. Assim, o tempo de permanência em uma atividade muscular está relacionado à quantidade de glicogênio disponível. As reservas lipídicas, que podem fornecer uma grande quantidade de energia para o organismo, parecem não ser mobilizadas no momento que ocorre a depleção quase total do glicogênio, ocasionando fadiga e a interrupção da atividade. Um dos motivos para a não utilização imediata da gordura corporal armazenada é que, para ser oxidada, ela demanda uma grande quantidade de oxigênio, manobra que prejudica a manutenção da intensidade do exercício.

Conforme os vários estudos já publicados, o período de cetoadaptação parece ser essencial para que o organismo possa acessar as reservas lipídicas de forma rápida e eficiente.

Desta forma, um atleta cetoadaptado poderia, em tese, percorrer longas distâncias em intensidade submáxima, utilizando como substrato suas reservas lipídicas, sem prejuízo no desempenho e sem a necessidade de reposição energética.

Há, portanto, a necessidade de aprofundar o conhecimento sobre esse tema com mais evidências sobre as intervenções dietéticas e suas aplicabilidades.  

A cetoadaptação na performance esportiva será um dos temas abordados por experts na área durante o evento SEND 2019. Não deixe de participar, interagir e discutir sobre este tema tão importante e recorrente nos consultórios dos médicos.

Referências consultadas:

McSwiney, FT et al, Keto-adaptation enhances exercise performance and body composition responses to training in endurance athletes, 2018, 81:25-34.

VOLEK, J. et al. Metabolic characteristics of keto-adapted ultra-endurance runners. Metabolism Clinical and Experimental, v. 65, p. 100-110, 2016.

ZINN, C. et al. Ketogenic diet benefits body composition and well-being but not performance in a pilot case study of New Zealand endurance athletes. Journal of the International Society of Sports Nutrition, v. 14, n. 22, p. 1-9, 2017.

ZAJAC, A. et al. The Effects of a Ketogenic Diet on Exercise Metabolism and Physical Performance in Off-Road Cyclists. Nutrients, 2014, 6:2493-2508.

PAOLI, A.; BIANCO, A.; GRIMALDI, K.A. The Ketogenic Diet and Sport: A Possible Marriage? Exercise and Sport Sciences Reviews. 2015, 43(3):153–162.